Depois da Segunda Grande Guerra, na Alemanha Ocidental

 A Auto Union estava originalmente sediada na Saxônia, que após o final da guerra passou a fazer parte da Alemanha Oriental. Desse modo, foi necessário algum tempo para que a empresa se reestruturasse. A empresa então foi registrada novamente na Alemanha Ocidental, em 1949, inicialmente para fornecer autopeças e em seguida para fabricar a motocicleta RT125 e a van F800 Schnellaster. Essa van utilizava o mesmo motor do último modelo do F8 produzido antes da Segunda Grande Guerra.

Um DKW F89 Meisterklasse.
Um DKW F89 Meisterklasse.
O primeiro automóvel de passageiros foi o F89, idealizado com o motor de dois tempos, com dois cilindros, do F8 e a carroceria do prototipo do F9. O F89 foi produzido até 1953, quando foi lançado o F91, equipado com o motor de dois tempos e três cilindros. Entre 1953 e 1956 e entre 1956 e 1959 foram produzidos respectivamente o F91 e o F93, equipados com motor de dois tempos, três cilindros, com 900cc e respectivamente 34hp e 38hp. Esse modelo de motor tinha sistema de ignição com três bobinas e três velas, uma para cada cilindro, e sistema de refrigeração por convecção livre, sem bomba de água, assistido por um ventilador montado sobre a tampa do bloco do motor. Esse mesmo modelo foi utilizado nos automóveis brasileiros produzidos pela Vemag, com capacidades de 900cc e posteriormente de 1.000cc.

Em 1959 entrou em produção o F94, também denominado como Auto Union 1000, ou AU1000. Esse automóvel tinha motor de dois tempos, com três cilindros, com 1.000cc, com as opções de 44hp ou a versao S com 50hp. Durante a produção desse modelo a fábrica da DKW passou de Dusseldorf para Ingolstadt, onde a Audi já tinha sua linha de produção. Desde 1957, os modelos da DKW ofereciam como opcional um sistema de embreagem semi automático denominado como Saxomat e em seu tempo constituíam os únicos modelos de pequeno porte com essa possibilidade. O último modelo do AU1000, o AU1000S, também oferecia freios a disco como opcional.

Uma perua derivada da família F91 foi montada no Brasil pela Vemag no final dos anos 50 e, entre 1958 e 1967, um sedã e uma perua derivados da família F94 foram fabricados pela Vemag com crescente índice de nacionalização. No último ano, quando a Volkswagen já era proprietária da empresa, juntamente com uma reestilização efetuada apenas no Brasil, os automóveis tinham praticamente a totalidade de suas peças produzidas no país.

Um AU1000S, seguido de perto por um F91.
Um AU1000S, seguido de perto por um F91.
O AU1000S, um cupê de duas portas, tinha párabrisas maior com desenho envolvente, diferente do AU1000. As extremidades inferiores do párabrisas se projetavam para trás, alterando o desenho das portas e o tamanho das ventarolas, e permitindo melhor visibilidade ao motorista.

Entre 1956 e 1958 foi produzido um automóvel esportivo com carroceria de fiberglass sobre chassis e mecânica da DKW denominado inicialmente como Solitude. Foram produzidos entre 230 e 240 unidades no total e atualmente os exemplares remanescentes são muito disputados por colecionadores. Pelo sucesso obtido e pelos recordes estabelecidos principalmente na pista de Monza, na Itália, acabou ficando conhecido como DKW Monza. Entre os recordes estão o de desenvolver 140,961km/h de velocidade média ao longo de 48 horas, o de desenvolver 139,459km/h de velocidade média ao longo de 72 horas e o de percorrer 10.000km com a velocidade média de 139,453km/h.

Um AU1000Sp conversível.
Um AU1000Sp conversível.
Entre 1957 e 1964 foi produzido um automóvel com forte apelo esportivo e baseado no Ford Thunderbird americano, o AU1000Sp, inicialmente como cupê e a partir de 1962 também como conversível. O AU1000Sp tinha o mesmo motor e os opcionais do AU1000, além de um sistema de lubrificação automática do motor de dois tempos. Esse sistema, denominado como Lubrimat e que também foi incluído nos automóveis brasileiros produzidos pela Vemag a partir de 1964, era acionado através de uma correia diretamente pelo eixo de manivelas do motor e injetava óleo lubrificante na medida adequada no carburador.

Um Junior de Luxe, de 1962.
Um Junior de Luxe, de 1962.
Um DKW F102.
Um DKW F102.
Uma família de automóveis de passeio que fez muito sucesso foi a do DKW Júnior e de seu sucessor, o DKW F12, produzida entre 1959 e 1965. O modelo básico, o Júnior, foi comercializado entre 1959 e 1961. Depois veio o Júnior de Luxe, com alguns melhoramentos, comercializado entre 1961 e 1963. O F11 e o F12 eram um pouco maiores e eram equipados com um motor com maior potência e foram produzidos entre 1963 e 1965, acompanhados a partir de 1964 pelo F12 Roadster. Esses modelos foram produzidos em quantidade razoável, vendidos dentro e fora da Alemanha e chegaram a ser montados em uma fábrica da Irlanda. Essa montadora foi a única fábrica da DKW fora da Alemanha na Europa.

O AU1000 foi substituído pelo F102, em 1964, que foi produzido até 1966 e foi o último automóvel produzido pela DKW e o último com motor de dois tempos. O F102 tinha uma concepção diferente dos modelos anteriores e era bastante refinado em uma época em que o motor de dois tempos tinha sua popularidade em decadência. O modelo vendeu menos do que o esperado e serviu como ponto de partida para a transição concretizada pela Volkswagen, a nova proprietária da empresa. A DKW saiu de cena e a Auto Union se transformou em Audi, e o F102 recebeu um motor de quatro tempos e se transformou no prototipo F103, que deu origem aos modernos automóveis da Audi.

Os motores de dois tempos apresentam bom potencial esportivo e vários carros da DKW equipados com o motor de três cilindros venceram muitos rallies e grandes prêmios durante os anos 50 e o início dos anos 60. No Brasil, durante muitos anos nessa época a equipe de corridas da Vemag, que fabricava sob licença os automóveis da DKW, era a equipe a ser vencida.
 

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